quarta-feira, 10 de junho de 2009

Dia dos Namorados

RELACIONAMENTO ABERTO. O termo já foi mais badalado há alguns anos. Hoje, fala-se pouco a respeito disso, mas certamente com um número cada vez maior de praticantes. Será que é fácil homem e mulher, em comum acordo, viverem casados, mas com total liberdade e independência para cada um fazer o que quiser com quem bem entender? Imagine-se com dez anos de casado, a mulher chegando e dizendo:
- Amor, hoje eu vou ao cinema com o Ivan. Sabe o Ivan, aquele que tem o apelido de Pé de Mesa?

SE A MODA DO RELACIONAMENTO aberto realmente vingar em toda a sua plenitude, dia virá em que ouviremos confissões do tipo:
- O que eu realmente adoro nela é a maneira como nós não nos vemos e não nos falamos.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Dedique uma canção a quem você ama


NÃO DÁ PRA SABER direito onde as coisas vão parar em termos de unidade familiar com as mudanças impostas nesses tempos. Unidade? Eu disse unidade? Parece que a palavra de ordem é justamente a fragmentação, o prejuízo do todo em favor do isolamento. Somos desconhecidos dentro das próprias casas, onde cada um tem a sua televisão, seu computador com Internet, seu videogame. Desconhecidos íntimos, que se cruzam casualmente na sala de jantar ou a caminho do banheiro. Dia desses, um amigo fez o seguinte desabafo:
- Eu acho que eu e minha mulher ainda vivemos dentro daquilo que se pode chamar de família. Convivemos sob o mesmo teto, trocamos palavras eventuais e, até onde sei, ainda não devoramos nossas crias.

TÃO DISTANTES ESTAMOS muitas vezes que acontece de pessoas da mesma família se estranharem em situações que antes eram normais. Há dias, numa roda de prosa, alguém contava a história do sujeito que, querendo fugir um pouco da rotina, levou a mulher para jantar num sofisticado restaurante. Lá pelas tantas, depois de um bom vinho, resolveram lembrar os tempos de namoro e passar em um motel. Chegando lá, foram se abraçado e trocando beijos. Quando ela começou a tirar a roupa, ele disse:
- Antes que isso fique mais sério, é bom lembrar que nós dois somos casados...

O QUE MAIS IMPRESSIONA é o conceito de durabilidade dos sentimentos nos dias atuais. Ontem nos contaram a história de um sujeito que segurava as mãos de uma frágil moçoila e se dirigia a ela nesses termos:
- Será que você não entende? Eu te amo, eu preciso muito de você. Eu quero passar o resto... das minhas férias com você!

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Parole

- Bem-aventurados os pés-frios de todas as nações do mundo. Ainda podem ser a salvação contra o aquecimento global...

Meio ambiente my ass!




Dá nojo essa hipocrisia em torno do Dia Mundial do Meio Ambiente. Trabalhinhos escolares, discursinho de político aproveitador, oba-oba de empresário interessado em faturar em cima da imagem de “empresa politicamente correta” e “socialmente responsável”. Estamos no dia 8 – três dias depois do Dia Mundial do Meio Ambiente. Ninguém fala mais no assunto.
Uma das piores enchentes dos últimos anos aconteceu em 1998, nas margens rio Yangtze, na China. Mais de 3 mil pessoas morreram e 230 mil perderam suas casas. O desmatamento foi o principal vilão dessa história: nos últimos 30 anos, 85% das florestas da bacia do rio Yangtze foram destruídas por madeireiros e hoje são usadas para a agricultura.
Estive na China no ano passado. Voltei convencido de que o mundo não vai longe. Pelo menos, não irá se não conseguirmos evitar que o resto do planeta siga o exemplo dos chineses. Envenenaram o ar, destruíram os rios, emporcalharam as águas. Em Guangzhou, as torneiras do hotel trazem a mensagem: “Undrinkable water”. Isso mesmo, água imprópria para consumo. Será própria para lavar o rosto ou escovar os dentes?
Recentemente, a Venezuela também sofreu com as enchentes. Em dezembro de 1999, as chuvas mais fortes registradas desde 1951 deixaram centenas de mortos, mais de 7 mil desaparecidos e 150 mil desabrigados. Desde então, isso se reproduz pelo resto do mundo, inclusive aqui no Brasil.
Discutir essas coisas não é mais entrar no modismo verde ou bancar o "ecochato". Estamos diante da encruzilhada da sobrevivência da vida na Terra. O que fazer? Para começo de conversa, transformar todo dia no Dia Mundial do Meio Ambiente. A disciplina de educação ambiental precisa entrar de uma vez por todas no currículo escolar – quem sabe as futuras gerações sejam mais responsáveis do que a nossa. É preciso que a sociedade pressione seus deputados e senadores, só votando em quem tem propostas bem claras no que diz respeito ao meio ambiente. E fazer valer a legislação ambiental, denunciando fiscais corruptos e servidores públicos mancomunados com empresas poluidoras, com grupos de desmatamento etc.
É difícil fazer isso? E, por acaso, é mais fácil ver o fim do planeta?