sexta-feira, 2 de março de 2012

O avião da semana

Para quem gosta de sereia, Arminda é um prato cheio. um prato e meio, mostrando suas delícias entre as espumas do mar, neste click esperto de Valery Anzilov. Eu não sei quanto a vocês, mas eu afundava com mastro e tudo...



Eu e as moscas


Não sei como foi que aconteceu, nem quando. Sei que um belo dia, enquanto eu lia um livro de crônicas do Drummond, acabei engolindo uma mosca sem querer. Depois disso, vi que é bobagem brigar com as moscas e mosquitos em determinados ambientes. Basta devorá-los. Simples assim. Com base nisso, desenvolvi técnicas surpreendentes para atrair as moscas e, num lapso de segundo, saboreá-las quase que nem um camaleão. Quando se come doce, por exemplo, você pode deixar, de propósito, um resto no canto da boca - ou entre os pelos da barba. Mosca adora isso. Fica orbitando e esperando a melhor oportunidade para beliscar.
Há dias, na antesala de um consultório médico, eu dissimulava folheando uma revista, quando na verdade a minha diversão era atrair duas ou três moscas que erravam pelo ambiente. A primeira veio como uma bala perdida, um kamikaze miniaturizado, ao perceber minha boca aberta e, no pré-molar careado, um resto de doce de leite que eu deixara ali propositadamente pela manhã. A segunda demorou um pouco, mas veio pouco depois - provavelmente interessada em saber o que havia provocado a corrida tão alucinada na primeira. Por último, a maior de todas. Esverdeada, varejeira, suprema delícia entre os devoradores de mosca! Tive que empurrá-la para dentro com a mão, o que provocou um esgar de náusea entre os circunstantes na antesala.
Um dia a humanidade terá que buscar fontes alternativas de alimentação. E verá nesse meu modo de ser o altruísmo e a dedicação de um pioneiro desta que pode ser a nova fronteira da existência humana.

Estado de graça

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

O ESTRANHO



Texto enviado por Antônio Carlos Meliel, de Cuiabá:



Alguns anos depois que nasci, meu pai conheceu um estranho, recém-chegado à nossa pequena cidade. Desde o princípio, meu pai ficou fascinado com este encantador personagem, e em seguida o convidou a viver com nossa família.
O estranho aceitou e desde então tem estado conosco.
Enquanto eu crescia, nunca perguntei sobre seu lugar em minha família; na minha mente jovem já tinha um lugar muito especial.
Meus pais eram instrutores complementares:
Minha mãe me ensinou o que era bom e o que era mau e meu pai me ensinou a obedecer.
Mas o estranho era nosso narrador.
Mantinha-nos enfeitiçados por horas com aventuras, mistérios e comédias.
Ele sempre tinha respostas para qualquer coisa que quiséssemos saber de política, história ou ciência.
Conhecia tudo do passado, do presente e até podia predizer o futuro!
Levou minha família ao primeiro jogo de futebol.
Fazia-me rir, e me fazia chorar.
O estranho nunca parava de falar, mas o meu pai não se importava.
Às vezes, minha mãe se levantava cedo e calada, enquanto o resto de nós ficava escutando o que tinha que dizer, mas só ela ia à cozinha
para ter paz e tranquilidade. (Agora me pergunto se ela teria rezado alguma vez, para que o estranho fosse embora).
Meu pai dirigia nosso lar com certas convicções morais, mas o estranho nunca se sentia obrigado a honrá-las.
As blasfêmias, os palavrões, por exemplo, não eram permitidos em nossa casa… Nem por parte nossa, nem de nossos amigos ou de qualquer
um que nos visitasse. Entretanto, nosso visitante de longo prazo, usava sem problemas sua linguagem inapropriada que às vezes queimava meus ouvidos e que fazia meu pai se retorcer e minha mãe se ruborizar.
Meu pai nunca nos deu permissão para tomar álcool. Mas o estranho nos animou a tentá-lo e a fazê-lo regularmente.
Fez com que o cigarro parecesse fresco e inofensivo, e que os charutos e os cachimbos fossem distinguidos.
Falava livremente (talvez demasiado) sobre sexo. Seus comentários eram às vezes evidentes, outras sugestivos, e geralmente vergonhosos.
Agora sei que meus conceitos sobre relações foram influenciados fortemente durante minha adolescência pelo estranho.
Repetidas vezes o criticaram, mas ele nunca fez caso aos valores de meus pais, mesmo assim, permaneceu em nosso lar.
Passaram-se mais de cinquenta anos desde que o estranho veio para nossa família. Desde então mudou muito; já não é tão fascinante como era ao principio.
Não obstante, se hoje você pudesse entrar na guarida de meus pais, ainda o encontraria sentado em seu canto, esperando que alguém quisesse escutar suas conversas ou dedicar seu tempo livre a fazer-lhe companhia...

Seu nome?
Nós o chamamos Televisor...

Nota:

Pede-se que este artigo seja lido em cada lar.
Agora tem uma esposa que se chama Computador e um filho que se chama Celular!

sábado, 28 de janeiro de 2012

Por que Deus permite?




Esta foto é do álbum pessoal de um soldado que integrava o "Einsatzgruppen" de Hitler. Na parte de traz da foto, a vítima foi rotulada como "O último judeu de Vinnitsa". A foto mostra um membro do "Einsatzgruppe D" prestes a atirar em um judeu ajoelhado em frente a uma vala em Vinnitsa, Ucrânia, em 1941.
Todos os 28 mil judeus de Vinnitsa e seus arredores foram massacrados naquele período.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012