segunda-feira, 26 de outubro de 2009

A los hermanos argentinos!


CONVERSEI DIA DESSES com um argentino. Eu quis saber o que dizem a nosso respeito no país deles. No começo, ele quis enrolar, temendo alguma represália. Depois, aos poucos, foi botando as manguinhas de fora:
- Mira, hombre, creo que este es um país muy hermoso, pero la gente...

QUIS SABER DELE o que há de errado com os brasileiros. Confesso que o tom e o nariz empinado começavam a me dar nos nervos. Ele então acrescentou:
- Tenemos un montón de problemas com la corrupción en Argentina, pero ustedes son los campeones. Todos los dias, en todas partes, vemos noticias sobre la corrupción en su país. Nadie puede apoyar...

TENTEI MOSTRAR a ele que as coisas mudaram nas últimas décadas. Que um presidente caiu por causa da corrupção, que derrubaram também o Severino Cavalcante, presidente da Câmara, e chegaram a prender o juiz Lalau. Lembrei que o próprio Renan Calheiros teve que entregar a presidência do Senado para escapar à cassação. Ele não se fez de rogado:
- No sea tonto, hombre. Tenemos que pagar propina a los guardias porque no queremos problemas em las carreteras. Tenemos que pagar propina para el hombre que se ocupan de nuestro coche, al camarero, al oficial del hotel y para todo el mundo. Este país es broma...
Vi depois que broma significa piada.

NÃO PRECISA DIZER que a essas alturas parecia esgotada qualquer possibilidade de diálogo com o argentino. Para piorar, a certa altura ele fez uma alusão às nossas mulheres:
- La única cosa que no puede quejarse de Brasil es las hermosas chicas, el típica sexy apelación de sus companeras y sus hijas...
Foi o suficiente. Disse a ele que um país que tem um presidente chamado Cristina e uma primeira-dama chamada Nestor devia pensar melhor ao falar sobre essas coisas...

domingo, 25 de outubro de 2009

Vida de casal não é mole


NÃO DÁ PRA SABER direito onde as coisas vão parar em termos de unidade familiar com as mudanças impostas nesses tempos. Unidade? Eu disse unidade? Parece que a palavra de ordem é justamente a fragmentação, o prejuízo do todo em favor do isolamento. Somos desconhecidos dentro das próprias casas, onde cada um tem a sua televisão, seu computador com Internet, seu videogame. Desconhecidos íntimos, que se cruzam casualmente na sala de jantar ou a caminho do banheiro. Dia desses, um amigo fez o seguinte desabafo:
- Eu acho que eu e minha mulher ainda vivemos dentro daquilo que se pode chamar de família. Convivemos sob o mesmo teto, trocamos palavras eventuais e, até onde sei, ainda não devoramos nossas crias.

TÃO DISTANTES ESTAMOS muitas vezes que acontece de pessoas da mesma família se estranharem em situações que antes eram normais. Há dias, numa roda de prosa, alguém contava a história do sujeito que, querendo fugir um pouco da rotina, levou a mulher para jantar num sofisticado restaurante. Lá pelas tantas, depois de um bom vinho, resolveram lembrar os tempos de namoro e passar em um motel. Chegando lá, foram se abraçado e trocando beijos. Quando ela começou a tirar a roupa, ele disse:
- Antes que isso fique mais sério, é bom lembrar que nós dois somos casados...

O QUE MAIS IMPRESSIONA é o conceito de durabilidade dos sentimentos nos dias atuais. Ontem nos contaram a história de um sujeito que segurava as mãos de uma frágil moçoila e se dirigia a ela nesses termos:
- Será que você não entende? Eu te amo, eu preciso muito de você. Eu quero passar o resto... das minhas férias com você!

RELACIONAMENTO ABERTO. O termo já foi mais badalado há alguns anos. Hoje, fala-se pouco a respeito disso, mas certamente com um número cada vez maior de praticantes. Será que é fácil homem e mulher, em comum acordo, viverem casados, mas com total liberdade e independência para cada um fazer o que quiser com quem bem entender? Imagine-se com dez anos de casado, a mulher chegando e dizendo:
- Amor, hoje eu vou ao cinema com o Ivan. Sabe o Ivan, aquele que tem o apelido de Pé de Mesa?

SE A MODA DO RELACIONAMENTO aberto realmente vingar em toda a sua plenitude, dia virá em que ouviremos confissões do tipo:
- O que eu realmente adoro nela é a maneira como nós não nos vemos e não nos falamos.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Matando a gula

A CADA DIA que passa surgem também alimentos através dos quais o homem procura matar a gula sem correr o risco de morrer de infarto. As pesquisas nesta área são bastante promissoras, embora os pesquisadores desmintam categoricamente a feijoada com pedaços de isopor imitando carne de porco e costela em fogo de chão feita a partir de fibra sintética. A propósito, diz que um paciente desabafava dia desses com o seu médico:
- Doutor, eu até que busco uma alimentação saudável. Nunca coloco sal no meu sorvete, por exemplo. Só como pizza e lasanha descafeinadas. E minha cerveja é 100% livre de gordura...

PARA OUTRO COMILÃO, o médico disparou, a queima roupa:
- Você está cavando sua própria sepultura com garfo e faca.
Ao que o paciente retrucou, sem perder a calma:
- Bom, isso também deve queimar algumas calorias...

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Adeus greve de fome!


VOLTA E MEIA alguém aparece com a idéia de fazer uma greve de fome. Quem não se lembra do bispo de Barra, na Bahia, Frei Luiz Flávio Cappio, iniciou uma greve de fome a favor da revitalização do rio São Francisco para tentar impedir a implantação do projeto de transposição?. Antes, o ex-governador do Rio, Anthony Garotinho, entrou em greve de fome por causa do que chamou de “campanha mentirosa e sórdida” para tentar destruir sua imagem. São apenas dois exemplos entre tantos.

ISSO NÃO ABRE espaço para se lançar um novo curso de graduação nas faculdades de todo o País? Sim, o curso de “Técnico em Desmontagem de Greve de Fome”, onde seriam ensinadas técnicas refinadas e recursos persuasivos para demover desses protestos mesmo os mais empedernidos grevistas. Para simplificar, o profissional poderia se chamar desgrevista. O sujeito está lá, no 18º dia de greve de fome, e alguém chama o técnico. O homem já chega comendo um X-Tudo e se dirige à pessoa com a boca cheia de maionese e catchup e usando palavras que lembrem comida:
- E aí, ô cara de pudim de coco com calda de ameixa! Sabe que dia é hoje? Quarta-feira, dia de feijoada. Eu já te falei como é a receita de feijoada da minha avó, nascida lá em Tiros, Minas Gerais?

DEZ MINUTOS de conversa e adeus greve de fome. Claro que sempre há os mais resistentes. Sem problemas: durante o dia, o desgrevista começa por preparar um suculento lanche em frente ao infeliz. Depois começa a folhear, em sua frente, revistas e livros com deliciosas receitas, todas ilustradas com provocantes fotografias. Se nada disso der certo, o desgrevista convoca a imprensa, parentes e amigos para anunciar que desistiu e que vai deixar o manifestante em paz. Mas, para fechar em grande estilo, oferece a todos um churrasco, composto por picanha maturada, cerveja gelada e acepipes diversos, tudo na cara do infeliz grevista. Ou, nessas alturas, ex-grevista, se me entendem.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

O taxista iraquiano

UM IRAQUIANO, que migrou para os EUA nos anos 70 e trabalha como taxista, fazia uma corrida pelas ruas de Nova York, quando o passageiro viu uma máscara no painel. Vendo a curiosidade do passageiro, o taxista comentou:
- É para o caso de um dia cair uma bomba atômica em Nova York.
O passageiro estranhou:
- Uma máscara não vai salvar o senhor de uma bomba atômica.
E o taxista:
- Eu sei. Mas é só para esconder o sorriso.

Tem sacanagem nesta foto?


Claro que tem, mas não é o que você está pensando. “Aquilo que você viu” é apenas o ombro, ou melhor, a dobra da axila da loira segurando a câmera... Se não acredita, olha de novo! Mente suja.

Mercedes Sosa

Era para eu ter escrito antes, mas acabou passando.
Lamentei a morte de Mercedes Sosa há dias. Passei boa parte da adolescência ouvindo suas músicas e também o Tarancon. Duas vezes quis vê-la ao vivo: uma em Curitiba, outra na Argentina. Não deu. Ontem, numa roda de cerveja e viola, alguém puxou a canção "Volver a Los 17", que é da Violeta Parra, mas que teve uma belíssima versão com Milton Nascimento e Mercedes. Para quem, como eu, curtiu esse som, aí vai a letra. Solamente para recuerdos...


Volver a los diecisiete después de vivir un siglo
Es como descifrar signos sin ser sabio competente,
Volver a ser de repente tan frágil como un segundo
Volver a sentir profundo como un niño frente a Dios
Eso es lo que siento yo en este instante fecundo.

Se va enredando, enredando
Como en el muro la hiedra
Y va brotando, brotando
Como el musguito en la piedra
Como el musguito en la piedra, ay si, si, si.

Mi paso retrocedido cuando el de ustedes avanza
El arco de las alianzas ha penetrado en mi nido
Con todo su colorido se ha paseado por mis venas
Y hasta la dura cadena con que nos ata el destino
Es como un diamante fino que alumbra mi alma serena.

Se va enredando, enredando
Como en el muro la hiedra
Y va brotando, brotando
Como el musguito en la piedra
Como el musguito en la piedra, ay si, si, si.

Lo que puede el sentimiento no lo ha podido el saber
Ni el más claro proceder, ni el más ancho pensamiento
Todo lo cambia al momento cual mago condescendiente
Nos aleja dulcemente de rencores y violencias
Solo el amor con su ciencia nos vuelve tan inocentes.

Se va enredando, enredando
Como en el muro la hiedra
Y va brotando, brotando
Como el musguito en la piedra
Como el musguito en la piedra, ay si, si, si.

El amor es torbellino de pureza original
Hasta el feroz animal susurra su dulce trino
Detiene a los peregrinos, libera a los prisioneros,
El amor con sus esmeros al viejo lo vuelve niño
Y al malo sólo el cariño lo vuelve puro y sincero.

Se va enredando, enredando
Como en el muro la hiedra
Y va brotando, brotando
Como el musguito en la piedra
Como el musguito en la piedra, ay si, si, si.

De par en par la ventana se abrió como por encanto
Entró el amor con su manto como una tibia mañana
Al son de su bella diana hizo brotar el jazmín
Volando cual serafín al cielo le puso aretes
Mis años en diecisiete los convirtió el querubín.