sábado, 1 de agosto de 2009

CQC: Cara, Que Cagada!

Está provado que o CQC foi usado igual papel higiênico no Paraná. Fez uma reportagem até interessante, é verdade, ao denunciar que o governador Requião empilhava ônibus escolares no pátio do Palácio Iguaçu para distribuí-los ao sabor de seus interesses políticos. Enquanto isso, crianças ficam sem aula por falta de transporte no interior do Estado. Mas o CQC não informou que dois homens entrevistados entre os ônibus eram, na verdade, assessores do deputado estadual Douglas Fabrício (PPS), adversário político de Requião.
"Qual o problema que adversários sejam entrevistados numa reportagem denúncia?", perguntará aquela senhora ali, na primeira fila, com o poodle no colo. Nenhum, exceto o fato de que teria sido mais honesto admitir que a denúncia partiu de adversários políticos. Se não há problema em que adversários - ou prepostos de adversários - apareçam dando entrevista, também não há problema em que sejam adequadamente identificados.
Mas a coisa não fica aí. Na mesma reportagem, o CQC foi ao município de Barbosa Ferraz para mostrar os efeitos da falta de ônibus entre as crianças paranaenses. Fez a reportagem como deveria ser: procurou o prefeito, não achou; entrevistou um desastrado procurador jurídico, que mais atrapalhou do que esclareceu, e entrevistou estudantes sem transporte e seus indignados pais. A pergunta é: por que Barbosa Ferraz, quando o Paraná tem 399 municípios?
Aí vem a prova inconteste de que o CQC foi usado numa bem urdida artimanha política. Poucos dias antes, veio a público a nomeação do vereador Edenilson Aparecido Miliossi, de Barbosa Ferraz, na Assembleia Legislativa, acumulando, de forma criminosa, dois vencimentos no serviço público. Em qual gabinete? Do mesmo Douglas Fabrício. Miliossi também é do PPS. A denúncia foi feita no último dia 3 na "Folha de Londrina" - uma semana antes de o CQC ser chamado ao Paraná. Miliossi é do mesmo PPS de Douglas Fabrício.
Segundo a Folha, o próprio deputado admitiu que Miliossi esteve nomeado em seu gabinete, "mas por apenas um mês". Ora, ainda que fosse por um dia isso já teria caracterizado improbidade, complicando a vida do "vereador fantasma". Miliossi, flagrado com a boca na botija, disse entender que não havia problemas em acumular o vencimento, pois não havia "incompatibilidade de horário". Ou seja, é réu confesso.
Na prática, o CQC foi usado por Douglas Fabrício para dar um pau no Requião e outro nos adversários de seu acólito em Barbosa Ferraz. O interesse maior da reportagem, portanto, não foi defender as pobres crianças paranaenses, sem transporte escolar, mas um mero exercício de felonia política, uma sucessão de mesquinharias e futricas.
Talvez por saber disso o prefeito de Barbosa Ferraz, Mário César Lopes de Carvalho, tenha classificado a reportagem como "uma canalhice" do CQC. Na semana passada, o prefeito foi morto com cinco tiros. Um crime passional, apurou a polícia depois. Mas que deve ter resultado em estouro de champanha no gabinete de Douglas Fabrício. Se abusar, até entre alguns membros da equipe do CQC...

Um comentário:

  1. João Carlos Kloster2 de agosto de 2009 16:27

    Essa foi foda! Na veia, Milton, na veia!

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Golpes baixos terão resposta à altura.